Valsinni

Valsinni, comuna da Itália na província de Matera

Na zona sudeste da Basilicata, fronteira com a Calábria, ergue-se a aldeia de Valsinni, que, no século XVI, foi palco da trágica história da poetisa Isabella Morra, que vivia no castelo sobranceiro à cidade. O burgo[1] localiza-se na margem direita do rio Sinni, dominado pelo Monte Cóppola, inserido num magnífico cenário natural.

O pequeno território é um dos lugares considerados como mais prováveis ​​onde se erguia a antiga cidade da Magna Graecia, Lagaria. No topo do Monte Coppola, são visíveis os vestígios de uma antiga cidade fortificada, em particular, a acrópole construída no século IV aC. e suas muralhas, formadas por blocos quadrados. Segundo o professor Lorenzo Quilici, que se baseia na descrição de Estrabão[2], essa antiga cidade poderia ser a mítica polis grega de Lagaria, fundada por Epeo, o construtor do cavalo de Tróia.

Este burgo é, no entanto, mencionado a partir do século XI, com o nome de Favale, pertencia, como feudo, a várias famílias nobres e, por último, à família Morra. Em 1528, o feudo de Gian Michele Morra, pai da poetisa Isabella Morra, passou para a Coroa da Espanha, após a derrota das tropas de Francisco I da França contra Carlos V, e Morra, que apoiava o rei francês, foi forçado a emigrar para Paris, junto com seu filho Cipião. Sua esposa e os outros filhos, incluindo Isabella, muito ligada ao pai, permaneceram em Favale, no castelo, que ainda hoje domina a parte antiga da aldeia.

Assim, na antiga Favale, dentro das muralhas do castelo, aconteceu a breve e dolorosa história da jovem e ilustre poetisa petrarquista, que viveu na primeira metade do século XVI. Isabella Morra foi, inicialmente, segregada, e, depois, barbaramente assassinada por seus irmãos, por uma suposta relação com o poeta espanhol, Diego Sandoval de Castro, barão do feudo vizinho de Bollita. De família nobre, Isabella é hoje considerada uma das vozes mais autênticas e originais da poesia do século XVI, também apreciada por Benedetto Croce[3] que visitou pessoalmente estes lugares. As missivas e os escritos da jovem expressam um estado de profunda infelicidade em que vivia, aliviado apenas pelo diálogo com a natureza envolvente, única a quem ela podia confiar sua dor e  suas esperanças.

O nome Valsinni é relativamente recente; de fato, até 1873, seu nome era Favale (significaria “terra rica em nascentes”) e foi rebatizada de Valsinni, em 1873. O burgo está situado em uma área única no mundo, no lado lucaniano do Parque Nacional de Pollino, que, com seus 192.000 hectares, é o maior da Itália. Nesta área natural é possível reviver e admirar os lugares que inspiraram Isabella. Entre os becos desta vila encantada, parecem ressoar versos antigos, em tons tristes e melancólicos. Rajadas de vento de um passado distante, que falam de uma jovem com um especial talento poético e sensibilidade, fora do comum.

Em 1993, foi criado o Parque Literário Isabella Morra, que homenageia a curta e dolorosa história da poetisa, por um caminho sentimental, que vai do centro da vila medieval ao castelo, residência da jovem. Entre os becos e as ruelas do centro histórico, o visitante é acompanhado por menestréis e apresentações teatrais, enquanto os versos de Isabel marcam, graciosamente, cada passo. Uma viagem evocativa pela poesia e pelos sonhos, pontuada por inúmeros eventos. Entre eles, em julho e agosto, se realiza o festival “O verão de Isabella”, com reencenações da vida renascentista, apresentações teatrais e cenáculos sob as estrelas, acompanhados pelo grupo “Menestrelli senza Re” (Menestréis sem Rei).

O pitoresco burgo de Valsinni foi premiado com a Bandeira Laranja, uma marca de qualidade turístico-ambiental conferida, pelo Touring Club italiano, às pequenas cidades do interior.

No mês de setembro passado, no município de Valsinni, foi realizada reunião entre a presidente do Instituto de Diplomacia Europeia e Sul-americana, Ana Claudia Barbuda, o prefeito Gaetano Celano, o vice-prefeito, a advogada Atinesca Petrigliano e o secretário da cultura, Giuseppe Truncellito; durante o encontro foi confirmado aos jornalistas da TV, jornais e revistas locais, o apoio à iniciativa da revista ITALIAMIGA, do Concurso Literário Isabella Morra a ser realizado, no Brasil, que entregará o Diploma de Cidadania Honorária ao primeiro classificado, e, para o segundo e terceiro lugar, a estatueta da Poetisa e o Certificado de participação.

[1]  Burgo, na Idade Média, fortaleza ou sítio fortificado, ocupado por uma guarnição militar e pelos civis necessários a sua manutenção, que, em caso de ataque inimigo, servia de abrigo às populações que viviam fora de suas muralhas.

[2]  Estrabão ou Estrabo (63 a.C. ou 64 a.C. — ca. 24) foi um historiador, geógrafo e filósofo grego.Foi o autor da monumental Geografia, um tratado de 17 livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época.

[3]  Benedetto Croce (Pescasseroli, 25 de fevereiro de 1866 – Nápoles, 20 de novembro de 1952), considerado uma personalidade intelectual de projeção universal, não se interessou apenas pela filosofia, mas também pela história, pela história da arte, pela literatura, pela economia e pela política. Seus pontos de vista foram difundidos em La Critica (1903-1944), influente revista fundada por ele mesmo.

Apresentação do Concurso Literário “Isabella Morra”, em Vansinni.