O “itálico” é nosso

Aldo Manuzio

Os tipógrafos Bianca e Enrico Tallone, que moram em uma pequena cidade nas proximidades de Turim, lançaram um livrinho, com tiragem limitada, para festejar os 500 anos do caráter itálico, uma publicação não apenas preciosa do ponto de vista da bibliofilia, mas igualmente interessante, pois nos explica que o primeiro livro em caráter itálico (corsivo, em italiano) foi impresso em Veneza, no mês de abril de 1501, por Aldo Manuzio, que adotou o desenho do incisor Francesco Griffo. Este primeiro livro, hoje em dia preciosíssima jóia, acolhia um texto do poeta latino Virgílio, com o qual Manuzio iniciou uma coleção de clássicos latinos.

Logo de Aldo Manuzio

Observando bem, o corsivo, ou itálico, expressa delicadeza e harmonia características da arte. A tradição diz que quem inspirou a forma do caractere foi a sublime escrita de Francesco Petrarca, enquanto para realizá-lo foram utilizadas novas técnicas mais próprias da ourivesaria que da mecânica, por causa da dimensão e da delicadeza dos novos tipos.

Depois dos caracteres romano e gótico (este último, utilizado pelo inventor dos caracteres móveis, Gutenberg), o itálico representou uma grande inovação, tão apreciada que foi usada nas escrituras da Chancelaria Romana na Renascença. A letra “f” é a que mais caracteriza o caractere, pois nos faz pensar em algo de musical ou, até, numa espécie de esboço genial representando o suporte do remo da góndola.

Carta de Erasmo de Rotterdam a Aldo Manunzio, Bologna, 28 de outubro de 1507

Erasmo de Rotterdam

J’ai souvent souhaité dans mon coeur, très savant Manuzio, que tout l’éclat apporté par toi aux deux littératures, grecque et latine, (…) revienne vers toi pour te rendre l’équivalent de ce que tu as donné. Car pour ce qui concerne la gloire, il n’y a aucun doute que le nom d’Aldo Manuzio volera jusque dans le plus lointain avenir dans les bouches de tous ceux qui sont initiés au culte des lettres…

“Sapientíssimo Manuzio, eu sempre desejei, do fundo do coração, que todo o esplendor que você trouxe às duas literaturas, a grega e a latina, (…) retorne a você, para lhe devolver, para lhe dar o equivalente a tudo o que você nos deu. Pois, no que diz respeito à glória, não há dúvida alguma que o nome de Aldo Manuzio estará nas alturas, voando, até o mais remoto futuro, nos lábios de todos os que se iniciaram e se dedicaram ao culto das letras.”